É preciso


Sem respeito, não há amor
Sem confiança, não há lealdade
Sem diálogo, não há convergência
Sem mudança, não há progresso
Sem investimento, não há retorno
Sem mente aberta, não há evolução
Sem trabalho, não há sustento
Sem alicerces, não há construção
Sem perder, não há ganhar
Sem alma, és só um entre muitos
Com passividade, vais ao sabor do vento
E sem tudo isto, não vale a pena continuar...

Não te lamentes nem esperes que mude,
ajusta-te ao que te é preciso!


Dezembro, 2017

porque lamentos não puxam carroças




O que as mulheres querem


O que as mulheres querem está proximamente ligado ao que os homens querem.
Ambos procuram solidez profissional, ter melhores atributos neste ou naquele campo, um lar, bens materiais com certeza, ...mas a verdade é que quase nada, incluindo o sucesso no trabalho, eleva uma mulher tanto quanto ser amada pelo companheiro(a) que ela admira.
Já os homens desejam ser admirados pela parceira que amam, diferente mas próximo. Por meio século, foi-nos dito, que o que as mulheres mais queriam era sucesso profissional e igualdade. Este conceito está a ser ultrapassado pela mulher moderna, que admite cada vez mais, que quer um parceiro para amar. É por isso que quando as mulheres casadas se juntam, elas não falam sobre os seus trabalhos tanto quanto os homens. Entre outras coisas, elas falam sobre o seu homem, se elas estão orgulhosas dele ou não, falam dos filhos, de projetos comuns ou queixam-se do que corre menos bem por exemplo...
Mesmo a maioria das feministas são mais felizes quando casadas com um homem que elas admiram.

As mulheres não querem um anel super caro, basta uma florzinha comprada com carinho e já resolve o problema.
Não querem dormir num palácio, só querem deitar a cabeça no ombro de quem amam.
Não querem a presença física a toda a hora, mas querem saber com quem podem contar se precisarem.
Não querem a password do e-mail, mas querem alguém em quem possam confiar de verdade.
As mulheres querem alguém com quem possam passar o aniversário, o Natal, a Páscoa,... a vida. Fazer parte dos planos... ainda que esses planos sejam apenas a comemoração de alguma coisa banal. O que as mulheres querem é tão simples que parece muito óbvio. Mas não é.
Ainda existem homens que ignoram o básico. Alguns, não são todos. Os homens não são todos iguais.
E o que é que as mulheres admiram num homem? Da minha experiência, de simplesmente viver a vida, cheguei à conclusão de que um homem admirável é aquele que tem três qualidades: força, integridade, ambição. Todas as três são necessárias.
Força sem integridade é machismo.
Integridade sem força ou sem ambição, é ter ao lado um 'pánhonha'.
E ambição sem integridade faz do homem um bandido bem-sucedido... ou não.
As mulheres são atraídas por homens fortes. Apesar de muitos homens, quando lhes perguntamos o segredo do seu longo casamento, respondem, "Eu aprendi a dizer sempre : Sim, querida", a verdade é que a maioria das mulheres não são atraídas por "Sim, querida" homens. Elas são atraídas para um homem que exibe força no mundo exterior e em casa, como marido e pai. Mas essa força deve vir com integridade. Se isso não acontecer, ele é um homem forte, mas mau. E quando algumas mulheres se apaixonam por homens maus (precisamente por causa do poder da força masculina para atrair as mulheres), a maioria delas não querem um homem desses a longo prazo. E ambição não significa necessariamente que ele é rico, mas sim que ele é trabalhador, que quer evoluir e melhorar.
É por isso, que para a maioria das mulheres, um marido que se senta e assiste televisão a noite toda, todos os dias, não tem valor.
Tudo isto se aplica a homens, a mulheres e à sociedade em geral.
Mulheres desejam ser serem amadas por quem admiram.
Homens querem ser admirados por quem amam.


Dezembro, 2017

porque me perguntaram o que eu achava do tema




Sexo Mágico


Nas entranhas do ser humano reside uma energia que tem um potencial gigantesco: o potencial do prazer intenso, do amor sublime, do sexo mágico!
Sexo é uma das mais poderosas energias do ser humano e ela está a ser usada, por muitos, apenas como: ginástica mecânica; consolo por ausência de amor; confusão entre sinónimos, ou não, de amor...
Não gosto dos estereótipos da cultura popular acerca deste tema. Não sou a favor das rapidinhas por sistema, nem das estratégias ou horários pré definidos. Não gosto dos planos A, B ou C, prefiro os planos todos ao molho e consoante a vontade se manifestar.
Gosto do orgasmo retardado, da multiplicidade orgástica, da habilidade para satisfazer o parceiro sem deixar de se ter o próprio prazer. Gosto da parte de cima da língua, que é mais texturada que a ponta. Gosto da superação dos anseios, vergonhas e da conversa aberta do que se quer e gosta. Não gosto de quantidade em prol da qualidade... ou só porque o colega de trabalho diz que passa a noite “naquilo”.

Gosto do politicamente incorreto, do sexo mágico com os 5 sentidos, da ausência de regras, gosto das misturas do selvagem com o tântrico, do fogo com o gelo, do humor com o sério a parecer que vou morrer de prazer. Gosto da sintonia nos “finalmente”, gosto da entrega no ato, da surpresa intemporal e irracional, da ausência de fatores de distração, da intensidade e da ousadia. A ousadia deve ser o limite superior do parceiro menos ousado, a frequência, não sendo os relógios sexuais biologicamente iguais, deve ser um entendimento do que for confortável para ambos e o sexo deve ser feito com amor... com quem se ama. Não condeno quem o faz sem amor, apenas não gosto. Condeno sim, quem não é sincero consigo próprio e, pior ainda, com o parceiro, quem apenas tem um objetivo: prazer momentaneamente egoísta... os sentimentos do outro que se lixem! Isso, eu condeno! Quando se busca qualidade, o fato de se ter uma relação de intimidade com o parceiro soma muitos pontos a favor. Quem não pensar assim ainda não provou o melhor sexo, tem andado a petiscar.
Sexo é uma coisa, amor é outra bem diferente, mas ao juntarmos os dois teremos como resultado o melhor sexo: o sexo mágico!
Gosto destas coisas do amor pelo inteiro, nada pela metade: nem só sexo, nem só amor; metades não me enchem as medidas. Sexo sem amor é beber um galão só com leite; sexo intenso com amor... sou eu! Mas parece que as medidas de muita gente, hoje em dia, se enchem só de metades: metades de sexo sem amor e muitos sem qualidade.
Estão na moda os casalinhos modernos do “olá e vamos prá cama”... e ainda nem um copo beberam. E depois da cama, vem um sorridente “até nunca mais”. Parece que a humanidade rotulou o sexo de pecado banal e corriqueiro; que se faz como quem vai beber uma cerveja: hoje a esta cervejaria, amanhã ao café da outra rua... E não importa a qualidade da cerveja, seja ela portuguesa, alemã, tanto faz, o que importa é beber, mesmo que a vontade não seja muita ou porque se tem de impressionar os amigos! Faz-me confusão o sexo estar a ficar tão banalizado, infelizmente assim como o amor; as posturas machistas com ar pré-histórico e primitivo... impressionante!
Infelizmente, muitos tem uma relação de amor e ódio com o sexo, que é refletida de muitas maneiras: promiscuidade, perversões, intolerância, negação, abusos ou simplesmente ser igual a beber um copo de água, ora da fonte, ora do esgoto... E o que mais me faz confusão é a tara sexual da abstinência. Vai de retro satanás!
Muitos queixam-se da qualidade dos seus relacionamentos sexuais, que fazem durante aquela hora. E já pensaram que provavelmente a razão está nas outras 23 horas do dia? Sexo mágico, naquela hora, só é possível se nas outras 23 houver amor, companheirismo, compreensão e não discussões o tempo todo. A qualidade do sexo está diretamente relacionada com outros fatores existentes no relacionamento, tais como: respeito, transparência, admiração ou confiança. E isto, nada tem a ver com regras ou com pensamentos antiquados de que o amor puro não deixa espaço para a libertinagem; as regras ou limites, cada um faz os seus, tal como diz Nelson Rodrigues “Se cada um soubesse o que o outro faz dentro de quatro paredes, ninguém se cumprimentava”!

Portanto e em jeito de conclusão, para se obter ou reconquistar um sexo temperado com magia, um sexo mágico, é preciso que o amor seja verdadeiro e que as demais áreas da relação estejam bem de saúde!
Cada aumento dos laços de lealdade, é um passo a mais no sentido de ter um sexo mais cúmplice e satisfatório.


Dezembro, 2017

alguém ganhou o direito a escolher o meu próximo escrito. o tema: "Sexo mágico"




As filhas dos escritores


Do peito nascem-lhes flores.
Dão-lhes canto, cor e alento.
São filhas de trovadores
Entregues a pastores,
Que lhes retiram alimento!

Tivessem escritores, dos cantos
Admiração e reconhecimento
De todos quantos
A dor cobre de negros mantos
De desamores em sofrimento!


Novembro, 2017

tributo aos meus escritos, filhos meus




Pobre passarinho


Vem devagar, de mansinho,
Em doces pezinhos de lã.
Sorrindo sobre o meu ninho,
Traz-me no bico o passarinho
Uma linda romã!

Com tal engodo, a avezinha
Fustiga-me sem piedade,
E deixo a minha casinha
À sua nova rainha
Por minha ingenuidade!

Da rosa não vi o espinho,
Nem romã, nem maldade,
E no entanto o pobrezinho
Não sou eu, é o passarinho
Que não tem dignidade!


Novembro, 2017

porque lá do meu terraço vi um passarinho mau




Liberdade a pedir e nada poder!


Da liberdade tão afastadas:
Esmeraldas em fortes gaiolas;
Zebras em jaulas pintadas;
Caixas com caladas violas;
Atrás de grades, mãos atadas
E coelhos em apertadas cartolas...
Querer voar, cantar, ter ou ser,
Querer sorrir, pedir, e nada poder!

Pequena ou grande liberdade,
Pesada ou leve solidão?
Agitado carrossel é calamidade,
Sossegado passeio é servidão.
Do desapego à saudade,
Entre devaneio e razão,
Qual o sabor da plenitude?
Doce deserto ou multidão rude?

Que venturas quereis colorir
Do que não se vê ou espera?
Cego que tudo vê florir,
Que do Inverno vê Primavera,
Que à liberdade pode sorrir,
É, qual sol sorri à quimera,
Partida para uma viagem
De branca tela e bagagem!


Novembro, 2017

porque a liberdade é relativa




Casamento no trilho certo ou errado?


Vós, unidos, ou por Cristo emparelhados,
De membros inquietos, coxas tremidas,
Com sedes, febres, fomes de pecados,
Em ganas e vontades enfurecidas,
Quereis céus abertos ou enublados,
Âncoras ou bonanças fingidas?
Que legados, por que caminhos
Ides vós, juntos ou sozinhos?

Com ajuda escusada ou pedida,
Gritando ou em amena cavaqueira,
Lúcida conversa ou incontida,
Como ides vós, de que maneira,
Ganhar do casamento, a corrida?
Salvar o que resta da fogueira,
Se é que tal esforço vale a pena
Por grande chama ou pequena.

Que fado no altar foi entoado?
Qual a sina, romaria ou destino?
Ides vós no trilho certo ou errado,
Bom ou mau rumo ao céu divino?
Será o negro, verde ou dourado,
O amanhã que dele imagino
Ter a cor mais prudente,
Do casamento, a transparente!


Novembro, 2017

porque a cor mais prudente do casamento é a transparente




Muro das lamentações


Pavões que se levantam
Baixando decoros e bastiões
Sem darem conta, plantam
No seu muro das lamentações
As vergonhas que cantam
Sem saberem cantar canções!

Diz o ditado que não aprende
O pavão da latente cidadela,
Que desse cantar depende
Pra sonhar ser coisa bela,
E por isso ele acende
À vergonha uma vela!


Novembro, 2017

porque alguém me disse: "faz lá um poema em 20 minutos sobre o facebook", achando que era tarefa difícil




Amor, solução de todos os conflitos


Por quem tendes vós afinal
Laços feitos, nós engasgados?
Das roseiras do vosso quintal
Perdoais aos espinhos os pecados?
Que passarinhos do vosso beiral
Saciais de braços cruzados?
O amor que se dá, é o que fica
Do que se partilha e abdica.

Tempo, esse devorador avarento
Do amor baptizado de intemporal,
Que os anos tingem de cinzento
O que já foi da cor da cal.
Para remediar tal desalento
E a cor da neve ser a final,
Candeias iluminem o que definha
A branca neve, a vossa e a minha!

Amor de mãe, pai ou conjugal,
Do estranho ao parente,
Amar o próximo é igual
A concertar o gemido doente,
A arrancar qualquer mal
E a fortalecer a fraca gente.
Solução de todos os conflitos,
Dores, desamores e gritos!


Novembro, 2017

porque o amor cura tudo




Sou trovador velhaco


Sou trovador velhaco, de zelo apostólico
Com o senso, que bem não sei se ajuíza;
Censuro o mundo real e o simbólico
Com vara curta que o justo enfatiza.
O meu e o outro mundo diabólico,
O que eu queria e o que hostiliza,
Qual doente inferno e céu católico,
Que a minha prosa aqui satiriza
Cantando e ralhando a poesia,
Ora afago quente, ora chibata fria!


Novembro, 2017

como me descrevo




Ser poeta: Deus dos enredos e do tempo


Letras e palavras são anarquias,
Que pintadas de cinzento,
Chamam por metáforas e analogias
Ao sabor da inspiração do vento.
Vento que tão bem assobias
E tão longo é teu chamamento,
Quanto mais a dor me afias
Maior é de ti, o meu alimento!
Desamores e dores que me envias
Fazem-me Deus dos enredos e do tempo!
Pinto infernos de lindas pradarias!
Anjos visto de negro fardamento!
Hoje sou rei de todas as bigamias,
Amanhã servo do meu casamento!
Ser da poesia escravo todos os dias,
Mas o que quero a cada momento!


Novembro, 2017

o que é para mim, ser poeta




O fado mais bem feito


Cai a noite, nasce a lua,
Finda o dia e nascemos nós!
Sopra o vento que apazigua
A minha alma e a tua
Enquanto estamos a sós!

Sob o luar mais perfeito,
Cantamos a uma só voz
O fado mais bem feito
Deste amor insuspeito,
Não querendo ficar sós!

Vai-se a lua, o galo canta,
Nasce o dia e ficamos sós!
Solidão que se agiganta
Até vir a lua santa
E de novo sermos ‘nós’!


Novembro, 2017

o que acontece quando amamos e somos amados




Velhice no ponto final


Virgulas, já as perdi no caminho
Onde atalhos vão dar a pontos finais;
Reticências, rezo-as sempre sozinho
Pra escapar a parágrafos canibais!
Aos poucos vislumbro o último vinho
Que beberei não sei de que punhais!
Ter menos tempo é ter mais a perder,
Quase nu e tanto pra escrever!

São horas lentas, frias e demoradas,
Que a velhice aceitou e por onde há
Pouca agitação e muitos nadas;
Estou onde a televisão está
E vejo-a com pálpebras desmaiadas;
Do que lá vejo e oiço, bastará
A minha ruidosa cama
E a visita de quem me ama...

Sou as cruzes e rasgos do desfiladeiro,
Cheio de marcas que contam histórias;
Tenho no bolso um andar batoteiro,
Relógios calcinados, que não dão horas,
Um olhar obsoleto, um falar trapaceiro,
Que pergunta quantas mais memórias
Terei com o meu melhor fato?
Oh, destino ingrato...


Novembro, 2017

o que imagino sentir aos 90 anos




O forte cai e corre


A vida assim encarar:
Ser coruja errante
Ou papagaio ignorante,
É diferença entre caminhar
Ou cair num instante!

Ao cair, que se aprenda
Com o descuido passado,
Ou serás enterrado
Pela vida, pela fenda
Onde caístes à bocado!

O fraco a morte planta,
O forte cai e corre
Mas se agiganta!
Um, hoje se levanta,
O outro, amanhã morre!


Novembro, 2017

porque é caindo que se aprende




A flor de lótus almejada


Sou flor por nascer, por germinar,
Como ela procuro a esperança remota
Do sol, vida e paz um dia abraçar!
Vagueando por onde a flor brota,
Eis que em mim o caule sinto rasgar
Da flor nascida, à luz devota!
Da minha alma antes alagada
Nasce a bela flor de lótus almejada.


Novembro, 2017

porque procurava o que a flor de lótus procura




Morte por entre dedos


É ver areia fina escoar entre dedos
E o relógio que não pára de andar!
Apontam os ponteiros cruéis torpedos
A horas que não páram de contar
As areias finas dos meus medos
Que a mão da esperança quer fechar!
Será que mão fechada o tempo segura
E a esperançosa vida nela perdura?


Novembro, 2017

o que senti quando a minha mãe estava de partida




Amigos, são estrelas, sóis com ouvidos


Amigos, são estrelas, sóis com ouvidos,
Que nos dão ombros, calor e luz;
São tesouros, frutos amadurecidos
Por laços que a amizade produz
Em entregas de afetos e gemidos
Como Cristo se entregou à cruz.
Laços por punhais desfeitos,
Jamais serão mantidos ou refeitos.

Que fiéis amigos conservais,
Daqueles que o tempo não levou,
Dos que calam dores tais,
Que a própria dor já calcinou?
Teriam sido cartas ou postais,
Cantares que ninguém cantou
Ou arrogâncias não contidas
Que causaram vossas feridas?

Quem por vós tem molhado os pés?
Que cimento vos une, vos apega?
Em tempestades e vorazes marés,
Por onde a amizade navega,
Quem salva quem, do revés?
Quem é o carregado e quem carrega?
Suores e lágrimas por vós secadas
São anjos, amizades somadas.


Novembro, 2017

porque me apeteceu fazer algumas perguntas sobre amizade




Família, fonte da vida, da motivação


É o horizonte da motivação,
Onde o sol nasce e adormece;
É berço do amor, fonte da comunhão,
Onde o afeto está e acontece;
É coragem, sacrifício e missão.
Por eles se mata, morre e oferece
Todas as flores que temos,
Todas as dores que vivemos.

Abrigo para onde corremos,
Na dor e alegria, o nosso pilar.
Lágrimas vertem quando morremos,
Sofrimento esse, mau paladar,
Das perdas, o pior que temos.
Melhor cuidar e desculpar,
Tudo em vida, dizer e fazer,
Antes que os possas perder.

Que por vossos sangues e raízes,
Segurem vós a corda de valores,
Tradições, histórias e cicatrizes
Dos vossos estimados amores.
Que os enganos ou deslizes,
Ou bem pior, os dissabores,
Que vos dá o néctar infiel,
Não vos tirem todo o mel.


Novembro, 2017

porque o néctar da vida está nas nossas raízes




Batalhas da nossa cama


Vem quente, linda, com o cio,
Traz teus olhos de serpente,
Vem inocente, com desbocado feitio,
Assim te espero impaciente,
Serei teu lobo faminto vadio,
Até meu malho leiteiro ficar impotente
E que expluda a cama em euforia,
De tanto clímax, tanta pornografia!

Quero tua língua indecente,
Em gritos e gemidos alucinados,
Senti-la invadir meu corpo ardente,
Por entre algemas e cadeados,
Ficar com carnes firmes e potente,
Pra te possuir de todos os lados.

Vem em labaredas, nu integral,
Saciar-me por entre tuas fendas,
Vem-te desmedida, como habitual,
Quero-te meiga, bruta, olhos com vendas,
Pra desvendares meu longo punhal,
E luxúrias e tesões serão tuas prendas.

Bebe deste meu vinho imoral,
Em minhas uvas penduradas,
Em nome do prazer carnal
E almas no amor viciadas,
Celebremos por anos este ritual,
Dos entardeceres às madrugadas
E que sempre na tua companhia,
Adormeça assim a minha poesia.

Batalhas estas da nossa cama,
que são segredos de quem ama.


Novembro, 2017

dedicado a Marta C. Mateus




Altruísmo azul


Como o mundo seria mais belo,
Se do pólo norte ao pólo sul,
Se em todo o egoísmo amarelo
Viajasse um altruísmo azul.
Cor azul, do frio peito singelo,
Com que Davi, pelo Rei Saul,
Derrotou Golias com a coragem
Precisa para tal viagem!

Vós, que doais migalhas e restos,
Que do altruísmo vos gabais,
Experimentai agora tais gestos
Com o pão que precisais!
Esmolas não são atos honestos
Do caridoso que não dá mais,
Do que lá por casa sobeja,
Não quer e já não deseja!

Altruísmos nobres e graciosos
Que o céu divino abençoaria,
Se não fossem cânticos gulosos
Da vossa ilusória melodia!
Gestos esses, cantares vossos,
Que o bom samaritano entoaria
Em cordas de falsas harpas
Que nos dão duras farpas!


Novembro, 2017

considerações sobre altruísmo




Humildade de sabedoria aprendida


Pipilares de pintainhos orgulhosos,
Que do pequenino piar se enaltecem,
Ao lado de rouxinóis melodiosos
Que de belo cantar não carecem
Mas do orgulho são silenciosos!
Os primeiros se engrandecem,
Os demais, de sabedoria aprendida
Com os humildes e com a vida!

“Eminência, que fazer por si mais?”
Assim me dobro por obrigação!
“Querido amigo, o que ansiais?”
Assim lhe dou cortesia, atenção!
“Pobre estranho, o que precisais?”
Assim canta o nobre coração
De quem como Jesus de Nazaré,
Alteridade tem e humilde é!

Casa de pobres e caladas serenatas
Ou dignas e formosas canções?
Que traves lá estão? Caras ou baratas?
Pão e vinho de bons anfitriões
Ou fechadas portas e falsas beatas?
Que boas nostalgias e recordações
Vos tomem pelo que mais desejam,
E as humildes, que grandes sejam!


Novembro, 2017

considerações sobre humildade




Felicidade que pedes à lua!


Tristeza, que rosas apanhaste
Por entre alfinetes que furam?
As belas flores que enjeitaste,
Em jardins que te torturam,
São as curas que sonhaste,
Se por pouco tempo duram
Os choros que lá se choram
Em dores que te devoram.

Luar, que encontros iluminaste
À beira de rios que te levaram,
Águas por um fio que deixaste
De encontros que te pisaram?
A quem tanto te dedicaste:
Esperanças que não brotaram,
Não apaguem brilhos da tua
Felicidade que pedes à lua!


Novembro, 2017

considerações sobre felicidade




À Classe Política


Profetas deste país resignado,
Que da dormência desta gente,
Preferis o tolo e o ajoelhado
Ao esclarecido e ao inteligente:
Vivam! Como têm passado?
Abonada algibeira, certamente!
A nossa, por vós cá vai mirrada
Por vossa regência forjada!

Quanta da vossa governação
Nos inclina a cabeça à guilhotina?
Carrascos da nossa punição,
Que por vossa fraca doutrina,
Sobre nós pesa a condição
Da morte lenta, pesada sina
De sermos por vós engolidos
Mastigados e esquecidos!

Àqueles que dos governos da cobiça
Se fizeram pela promessa e o esquecido,
Que chegaram ao topo da injustiça
A quem o poder foi concedido
Por entre mel e areia movediça:
Vós, que tomais tudo por garantido,
Aprendam que também o oponente
Rima com ajuda à justa gente!

Quem nos guarda de vós?
Quem arbitra cartas que deitais?
Quem julga o político atroz?
Quem assume erros que façais?
Dizendo a uma só voz:
Será o rico, o político, ou quais?
Digam-nos, do nosso arrozal,
Quem gere o arroz de Portugal?


Novembro, 2017

porque me apeteceu ralhar com a classe política




À Educação


Sereis vós bons lapidadores?
Tendes na honra um sorriso?
Ou sois apenas predadores
Do tostão que vos é preciso?
Plantais espinhos ou flores?
Quereis nadas ou o paraíso?
Aspirai ser Deus todos os dias
E eternidade em vossas crias!

Escola, que sonho te deram?
Instruir quem saiba repisar
Caminhos que já se fizeram?
Haja empenho em alisar
Trilhos apáticos que disseram
Ser cobiçosos de endireitar!
Estimulem-se os pensadores
E não só os repetidores!

Senhores, sabeis quais
As dores da vossa agonia?
Rosas que têm mais
Sorrisos no seu dia-a-dia
Dão as pétalas dos roseirais
Cobiçadas pela pedagogia.
São jardins ao educando
Que a educação vai mostrando.

Leões e leoas de Portugal,
Que das crias sois alheados,
Estais desviados do primordial
Pela cegueira dos pecados
Canas, foguetes e melhor enxoval.
Filhos só, por outros educados
E não por vossa herança,
Fraco juízo, fraca segurança!

A vós, vos dá a poesia,
Olhos de lince, pelos quais
Uma rosa se levantaria
Das terras que olhais,
E o olhar com ousadia
A flor beijava um pouco mais.
Educação e poesia abraçam-se,
Sonhos e saberes afagam-se.

Ovelhas tende paciência
Por tudo que vos é negado:
É o leme em demência,
O agradecimento encurtado
E os pastores desta aparência
Que perderam o cajado
A fazer da fingida regência,
Um dia esquecido, outro calado!


Novembro, 2017

porque quis por a educação a pensar




À Saúde


Do ofício sois “pai-zelador”,
De todos o de maior grandeza,
Que espalha flores, cura e calor,
Pelos jardins da natureza
Dada pelo supremo criador!
Almas vossas, com toda a certeza
Tereis do céu alta recompensa
Pela entrega a tamanha crença!

Nem credos, mandos ou poderes
Ousem caminhar à frente
Do maior dos deveres:
A menor dor do paciente!
De todos os entardeceres,
Seja o deleite do doente
Um sono bem-nascido
Num crepúsculo colorido!
Mais haveres não aprovam,
Antes cortes que dão feridas.
Nas aflições esperas desovam
Em rios de gentes combalidas,
Que das curas comprovam
Doenças na saúde assumidas.
Peço o que pediu o perdido,
Achai da saúde, o esquecido!

Aos santos e heróis apeados,
Da saúde, guardiões pela metade:
Vós, curandeiros no tempo parados,
Façam-nos o favor, a bondade
De vos manterdes cultivados!
Quem da luz se evade,
Da caminhada perde a dianteira,
Erguendo da preguiça a bandeira!

Vós, que atendais nosso pranto,
A quem nos dobramos no tormento,
Na bravura do vosso canto,
Cantais ao sofrimento?
Façam da alegria, vosso encanto,
Da paciência, vosso instrumento!
Sois nobre vida a fazer bem
À saúde de quem não a têm!

Saúde é fortuna ao homem,
Dos bens, o ouro singular!
Que fúteis ganhos não somem
Dores ao nosso cobiçar
Por cobiças de qualquer ordem!
Em nome do viver salutar,
Abra-se a porta da saúde
A quem a felicidade ajude!

Do privilégio, só o diploma
Ou ter na alegria sapiência?
Que valor mais alto vos toma?
Aos vendidos por tal aparência,
O bago da uva, esse mau sintoma:
Ide com apressada veemência
Debulhar outros afazeres
E não da saúde vos sorveres!

Rei do Olimpo, o ilustre Zeus,
Senhor do ceptro, raio e trovão!
Pai de todo e qualquer Deus,
A quem Deuses devem gratidão!
Agradecei crentes e fariseus
A curadores que nos dão a mão!
Olhai por eles, ó Zeus senhor,
Os que no Inverno nos dão calor!


Novembro, 2017

porque me apeteceu ralhar com a saúde




Aos Jovens


Jovens e idosos, que pintores!
Um pinta uma cor, com vigor,
O outro, muitas, com dores!
Pinceladas que levais de amor
Não são reparos, são flores
A vós dadas pelo professor
A quem chamais rude!
Venha capataz que vos mude!

A quem da lavoura anda fugido,
Que safra quereis, que legado?
E o passado como tem sido?
Folgada folia ou calo trabalhado?
Entre gemidos e sono perdido,
Frutos virão pelo trabalho pautado
Se deles largardes, vos exalto,
Vagueares que falam mais alto!

Vós, ávidos jovens igualados
Nas savanas a ferozes chacais,
Ambos piedosamente sustentados
Por sobras de outros animais;
Chacais, por leões saciados;
Vós, por tolerância dos pais!
Assim é a lei da natureza,
Cada qual com sua destreza.

Sensual e maléfica, essa patroa,
Escondida por detrás de rostos
Da juventude que amaldiçoa
Enfraquecidos de fracos gostos
Por ela seduzidos, e magoa
Todos quantos traz desgostos!
Difícil sair, fácil de obedecer,
Não quereis tal senhora conhecer!

A quem de tudo é patrão,
Da verdade que habita
No tempo que não dá vazão
Ao que a vontade debita.
Porque a ligeireza então?
Jovem do mundo arrebita
Dessa vaidade que te chama
Não ao dever, só à fama!

Jovem perdido e descartado
Do valoroso verbo “merecer”,
Querendo por ele ser louvado,
Calos tendes de endurecer!
Glórias do antepassado
Não vos porão a mexer,
Pelo que, alto rogarás
E de vassalo não passarás!

Fosse a força do tigre vergada
E alguém o temia acorrentado?
Temido jovem de cabeça irada
Não quereis ser enjaulado!
Vergai a força zangada
Ao que será o vosso legado.
Vós, que adorais desobedecer,
Qualquer dia, a quem o fazer?

Tanto a hoje se chegam,
Tempo que aí passam demais,
De ontem, já não se lembram,
De amanhã, não vos preocupais!
Jovens, aprendam,
Que cores-de-rosa que sonhais
São negros ontem aprendidos
Em brancos hoje esculpidos!


Novembro, 2017

porque me apeteceu dar um raspanete aos jovens




À Justiça


Justiceiros de negras vestimentas,
Cujo martelo a ordem concerta,
Dai cor a justiças cinzentas
Que vossa justiça acoberta.
São as esperas rabugentas
E coações com porta aberta,
Que a lei cobre de escuro manto,
Lesando o pecador e o santo.

Quem paga a vagareza que demora,
Quem por ela espera, que desespera?
Povo que tais cruzes carrega e chora
Em vão, nestas malhas, nesta esfera
Da justiça que nos roga, nos implora
Ter no seu diário, o fim desta quimera.
Não vejo luz, túnel ou sequer ousadia,
Que possa por cobro a esta utopia!

Justiça tardia e não bem feita,
Fervida em banho-maria,
Tremidos laços estreita
Entre o juiz com miopia
E o pecador que se deleita!
Deitar na fervura água fria,
É verdade que não abunda
E o azeite que se afunda!

Quem aos desfavorecidos e cobaias
No revés socorre e dá justa guarida?
São novatos que da escola, das saias
Há pouco saídos, cuja rota perdida,
Qual golfinho que à costa dá em praias
De vendavais de sabedoria tremida.
Assim, necessitados e usados,
Pela justiça são mal-amados.

Sabido pecador da corte evadido,
Porque não apareceis no assento?
Embaraços vos deixaram adoecido?
Causais à justiça tal tormento,
Como noiva em choro esvaído
Por não ter par no seu casamento.
Correntes pesadas eu vos poria
Ou do chilrear vos despojaria!

Injustos dilúvios que se fizeram
Regam-vos de suspeições!
São escutas que se tiveram,
As inocências das presunções
E da justiça segredos, que lideram
Estas e outras inundações!
São divindades em retribuição
À impura justiça da civilização!

E porque impunidade é aspereza
E de pequenino o pepino se torce,
Obrigue-se o juvenil à certeza
Que tropelia não pode e se reforce:
Ou amoleçais na dura fortaleza
Onde qualquer um se contorce
E da malícia fazeis cedência,
Ou escutais esta advertência!

Bom juiz que a justiça engrandece,
De poucos saberes, pouco visionário,
Dá sábia sentença ao povo, que agradece;
Enquanto o mau juiz, ao contrário,
Que letrado, de humanidade carece,
Nos dá fraco despacho comunitário.
Profecias e leis divinas não adornam
Juízes que a justiça tanto estorvam.


Novembro, 2017

porque me apeteceu dar uma reprimenda à justiça




À Igreja


Mão de Deus, por que causa te moves?
Amparas pobres almas e criancinhas?
Que guerras, que pazes promoves?
Diferencias abutres e andorinhas?
Tempestade, em cima de quem choves?
De palácios ou pobres casinhas?
Mão divina, porque não ajudas
E nos faltas como Judas?

Vós, que viveis nas ostentações
De vossos ouros, pratas e vestes,
Dai de vossos generosos quinhões
Aos pobres exemplo que não destes.
Sede corujas e não pavões!
Seriam estas as ordens celestes
Vindas do criador, por quem
Louros e plateias vê com desdém!

Quais os sacrifícios perfeitos
Para o favor de Deus alcançar?
Que temperos em vossos leitos?
Serão velas e fermento no rezar,
Ou vinagre em vossos defeitos?
Talvez as novenas rogar
De doces mãos estendidas
E não ausentes ou recolhidas!

Vigários, que com as esmolinhas,
Vede Cristo, os sacrilégios que fazem!
Compram bom vinho e galinhas!
Pastores que a fé desfazem,
Respondam a deuses e rainhas
As indignações que nos trazem:
Que rebanho quereis evangelizar
Com tal trato, tal semear?

Cristo nosso, que estais no céu,
Olhai e vede o nosso cansaço.
Da vossa visão, afastai o véu,
Para verdes do vosso terraço
Jardins de rosas, espinhos ao léu,
Que ferem e causam embaraço
À igreja, por aristocracias
Existentes no reino do Messias.

Casas de preces, cultos e sermões,
Governadas por tristes gerentes
Que perdidos nas enfadonhas orações,
Não empolgais vossas fiéis gentes!
Espalhai anzóis e não arranhões;
Nos sorrisos, menos serrados dentes!
E que o canto da vossa liturgia
Se faça melodioso, com ousadia.

Que petições temos de fazer,
A quem temos de nos dobrar,
Para que possais entender
Doenças que tendes de curar?
Vosso “carreirismo” e poder?
Vós, pequenos fiéis a desejar!
Entre ganância e malvadez,
Venha um demónio de cada vez!

Do alto da vossa sagrada razão,
Do céu, da terra, sois dono e senhor
Dos que por cá pregam o sermão,
Ao povo que dele mais o favor
Precisa e, no entanto, lá não vão!
Velas bentas que ardem sem valor
Na paróquia com lágrimas de cera,
Causa a fraca fé, que o fiel perdera.


Novembro, 2017

porque me apeteceu repreender a igreja




Aos Patrões


Quem tendes sob o vosso charme?
Quem a tudo erguido vai e corre
Ou fraco, que em forte se arme
Diante de quem quase morre?
Pensai, antes de qualquer alarme
Em quem ajuda, quem vos socorre,
Quem vos pode causar feridas,
Duras ou ligeiras e consentidas.

Quão justos pagadores sois
Dos suores em vós deixados?
Pagais aos vossos por dois
Os dias em noites prolongados?
E o que a vós virá depois
De às querelas ficarem abeirados?
Justos queixumes apenas,
Grandes contendas ou pequenas?

Vós, casados com áridos feitios,
Por ciclones e tufões enamorados,
Vestindo de frieza vossos desafios,
Na fria terra sereis enterrados
A sete palmos de curtos pavios!
Sereis por todos enjeitados,
Se do áspero ao macio
Não se dobrar o vosso feitio!

Patrão, que a tempo e horas
O que te é devido gostas de ter,
Que honra e graça ignoras,
Não queiras por esta via obter
O fim do namoro que namoras!
Este, não acabando, vai ser
Carrasco de metas combinadas
E constelações enfrentadas.

Da chicotada e do açoite
Vive o timoneiro mandão,
Em que o dia virará noite,
Quer ele queira, quer não!
Embora à eternidade se afoite,
Água entrará na embarcação,
E antes que isso aconteça,
Favoreça-se quem o mereça!

Reis, que do vosso império
Partilham a coleta recebida,
Com tal costume, tal critério,
Do povo vêem a guarda despida!
Querendo mais esmero sério,
Invertei a conduta distraída
Onde ventos gananciosos jazem
E reluzentes sóis se refazem.

Vós, predadores do obreiro manso,
Que da vossa crista angelical
Sois como o guarda ganso,
Porquê o porte territorial?
Vós, tiranos, eu vos afianço:
Desencantos vão apanhando
De vossos telhados de barro,
Por vosso arrogante catarro!

Um anjo engrandecido ou um temido
Demónio por quem nos fica o desapego
É escolha, é caminho entre o colorido
Branco da paz e negro desassossego.
Leão que à gazela dá ouvido,
Rubi que ao cristal dá aconchego
E coruja que se presta a ensinar,
São razões de na lembrança ficar.


Novembro, 2017

porque me apeteceu ralhar com os patrões




Aos Mídia


Vós, que à sociedade delirante
Ides opinando e decidindo
O que é cristal ou diamante,
As verdades vão diminuindo
Por vossa libertinagem errante.
Zelosamente vós intervindo,
Criticai com justeza assim
Dizendo o que é bom ou ruim.

Sede, à água da fonte é grata.
De onde será que ela vem?
Diz o receoso: “Será que mata?”
Ao que lhe dizem: “Não sei também”.
Como não sabe, à pergunta sensata
Graceja e zoa com desdém!
Se boa fonte ele procurasse
Talvez desfavor não passasse.

Vós, que deixastes no esquecimento
O valor alto que vos devia tomar,
Tendes como vital condimento
O dever de nos bem noticiar.
Prosa deixada em detrimento
De egos que precisais engomar
Fazem do escrever um serviço
Sem benfeitoria, postiço!

Décadas últimas de decadências,
De glórias que em pobres passos
São ganhas pelas penitências
De tragédias, males e estilhaços.
Doutrinas que, pelas audiências,
Crises, pressões e cansaços,
Da escrita, se dão e vendem
A deslumbres de que dependem.

Vós, que com tesouras de alfaiates
As novidades nos vão dando,
Que por rebuçados e chocolates
As boas verdades vão cortando:
Vede os ouros de muitos quilates
De peso duvidoso e brando
Que o nosso paladar atrofia
Pelo que nos vendem: bijuteria!

De fracos vigores, éticas nuas,
É de tais senhores que sabemos,
Não gostarem de sóis, só de luas,
Sol, o maior vigor que temos,
E tu, triste lua que minguas,
Assim vos descrevemos:
Está a lua para o vassalo,
Como sol para rei a cavalo!

Curiosidade, que estás arriada,
Esperas que nada nunca mude?
Criação por ti costurada,
Remendos têm e desilude
Ou foi bem aprimorada?
E teu faro e inquietude?
São proveitos a procurar
Se na sombra não queres ficar.

Quão doce é vosso poder de criar
Novos ideais, novas influências;
Silhuetas que regalam o olhar,
Da beleza, novas tendências;
Ou dilemas espinhosos encarar:
As atraentes e más violências!
Assim se fica refém
Do poder que os mídia têm.


Novembro, 2017

porque me apeteceu dar um ralhete aos mídia




Honestidade de São Bento


Se toda a corrupção navegada
Lá pelos lemes de São Bento
Fosse no alto mar depositada
E a ele selada com cimento,
Ficaria a dita casa desabitada
Por falta de honesto talento.
Aos poucos, de alta virtude:
Longa vida, longa saúde!


Novembro, 2017

porque os inquilinos de São Bento merecem




Exemplo que não cabe em verso


Tal brilho, que não cabe em verso,
Do Vaticano, prato da conversa,
Que a ser servido ao Universo
Exemplos a todos arremessa!
De quem aqui, palavras disperso,
É quem ao mundo professa
Cá na terra, o vivo Cristo,
De seu nome, Papa Francisco.


Novembro, 2017

dedicado ao maior de todos os Papas: o Papa Francisco




Boas maneiras quebram barreiras


Quando sinceras, as boas maneiras,
E não de vernizes, sorrisos sociais,
Cantadas por gentes ordeiras,
Meros peões a reis ficam iguais!
São espadas que quebram barreiras,
Cerrados rostos, cismas raciais,
De gentes sérias e fechadas,
Em casulos frios, as suas moradas!


Novembro, 2017

porque mais boas maneiras são precisas




Motivação de outras vindimas


Quem do receio faz condição
Para se nutrir do que subestima,
Da vida não faz senão
Beber vinho de outra vindima.
Cachos, versos em parreiras são,
Suspensos no árido clima
Onde o vosso versado vinho
Não rimou por tal caminho!


Novembro, 2017

porque me apeteceu ralhar com os de fraca motivação




Que chá dar ao preconceito?


Forasteiro, que sem teto ou chão
Morre em longes destinos,
Até lhe falta o padre, o sacristão,
Familiares, orações e hinos!
Ao contrário, em robusto caixão,
Morre o de cá, tocam os sinos!
Que chá dar ao preconceito
Para que se faça o bem feito?


Novembro, 2017

porque ainda temos muito preconceito




Quem não pecou, atire o seixo!


Ó água que cais nos telhados,
Enquanto pacientemente espero
Pelo fim do Inverno, dos pecados
Da vida, da Primavera que quero.
Chuva, sem faltas ou culpados
E só molhar o que é sincero,
É uma utopia que vos deixo:
Quem não pecou, atire o seixo!


Novembro, 2017

porque há quem se ache Deus ou a Madre Teresa de Calcutá




Orgulhos que encardem a brancura


Cante-se, quem tem o poder
De não abrir a sua sepultura
Com orgulhos que sem querer,
Fracassos pintam a brancura!
O mesmo, é dar à luz e ver
Sombras na nascida gravura,
Onde orgulhos divididos
Contrastam com unidos!


Novembro, 2017

porque o orgulho não é bom conselheiro




Falsidade a dançar a valsa


Filhos de cobras venenosas
Com cães rafeiros cruzados;
Netos de raposas idosas;
Abutres, os seus advogados
De causas e danças danosas;
Assim, todos bem alinhados,
São hienas a dançar a valsa
Em salões de gente falsa.


Novembro, 2017

porque o que mais se vê neste mundo, é falsidade




Ontem, hoje e amanhã


Que saibas que superei hoje,
o ponto mais alto, de onde ontem, te amei.
Cada singelo 'amo-te' de hoje,
é mais do que qualquer 'amo-te',
floreado ou adjetivado de ontem.

Que amanhã seja um hoje mais refinado.
Vivamos hoje, porque amanhã não sei e ontem já era.
Que ontens difíceis, por amanhãs, sejam passado.
Aprendamos hoje, com quedas de ontem
e que escombros sejam alicerces de hoje e amanhã.

Curem-se ontens negros,
para vivermos hojes em branco,
por amanhãs cor-de-rosa!
Se ontens fossem hojes,
hojes e amanhãs seriam diferentes!
Mas não são, por isso:
ontem é preto, aprendamos,
hoje é branco, escrevamos,
amanhã é cor-de-rosa, sonhemos!
Hoje é mais,
porque ontem foi menos
e amanhã será melhor.

Obrigado pela definição de hoje de amar,
por resistires ontem, pelo teu hoje
e por me amares ontem, hoje e amanhã.

Por todos os teus ontens e hojes,
tu és quem eu quero,
para o meu hoje e todos os amanhãs.

Amo-te...



Morço, 2017

dedicado a Marta C. Mateus




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