Óscares para pessoas que eu conheço


Aqui jazem os Óscares para as pessoas mais barrocas e pitorescas que eu conheço: colegas de trabalho, amigos e alguns familiares também.

Os nomes são fictícios, as profissões também, tudo o resto foi autenticado pelo notário do meu amigo Fernando, onde ele não manda nada, eu que mando.
... e os nomeados são:

Administrativa Pilar, nomeada para “A mais calhandra”
Aqui está alguém, que parece gostar mais de estar sentada no epicentro do mundo, do que da própria descendência. Também parece gostar mais de um marido que não é o seu, mas pronto, acontece a quem procura. O problema é que muita gente desconfia, incluindo a mulher do marido, que não é marido dela. O seu hobby favorito é calhandrar todas as pessoas com duas pernas e gosta de o fazer como se não comesse à meses.

Enfermeira Magda, nomeada para “A mais obstinada”
A Magda diz que não faz ideia onde se encontram homens que valham a pena e também gosta do marido de alguém. Mas, pelo menos, não tem marido em casa como a administrativa Pilar da nomeação anterior. Tem dias que sim, outros que não. São quase alternados. Nos dias pares, perde um parafuso e nos ímpares, acha-o de volta. É mais teimosa que uma mula ferrenha ou uma porta casmurra e fuma mais do que o Titanic fumava pelas quatro chaminés.

Auxiliar André, nomeado para “O mais sorrateiro”, casado com a Doutora Vanda, nomeada para “Funcionária com mais pesadelos”
O auxiliar André, que vai para todo o lado sem carteira, é sorrateiro como um caçador no bosque. Gosta de vender sonhos. Vendeu um tão grande à doutora Vanda, que ela ficou com pesadelos recorrentes em que o marido a troca por alguém com mais apartamentos alugados e carros de coleção. Ela gosta que lhe esvaziem os bolsos numa estranha comunhão com ele, que gosta de os esvaziar. As dádivas do destino são para quem as procura! Olhar para este casal, é como ver tinta a secar, não se passa grande coisa. Se ninguém os vê a falar, onde guardarão as palavras por dizer?

Doutor Heitor, nomeado para “O mais Zezé Camarinha”, casado com a Auxiliar Valentina, nomeada para “A VIP mais abatida”
O Heitor é o doutor gigolô daquele hospital! Passa a vida a fazer malandrices, daquelas que não se fazem às esposas, mas afirma que ama muito a sua consorte, a auxiliar Valentina. Ela tem andado abatida, como os olhares deprimidos dos semáforos à chuva, mas sonha ser primeira-dama de alguma coisa, não interessa o quê. O problema é que ela, com um rabo habituado a bons sofás, não quer o marido naquela profissão (gigolô), mas no entanto, gosta muito de lagosta suada. Sacrifícios.

O Segurança Alfredo, nomeado para “O mais medroso“
O Alfredo é o macho mais Alfa de todos, mas só rosna. Com a esposa, a conversa é outra! Ela morde-o se ele não pestanejar como ela quer! Se ele pede, ela não ouve, mas se ela o chama e ele não escuta, ele aleija-se. É sempre assim, coitado! As duas frases que o Alfredo mais usa com a sua amada, são: “sim amor!” e “claro que sim amor”. Outras, terão de ser sinónimas destas duas. Ele tem medo dela, porque quando ela se enerva, fica com três metros de altura e caninos gigantes. Além disso, O Alfredo tem medo que a esposa o troque por um macho Alfa a sério, dos que mordem e têm a pilinha grande e ágil (a dele é mirrada e diz que está sempre de mãos enterradas nas algibeiras).

Bernardo (manutenção), nomeado para “O mais cara de pau”
Enfermeira Sofia, nomeada para “A que mais acredita no Pai Natal”
Giovanna (limpezas), nomeada para “A que mais acredita na Fada dos dentes”
O Bernardo, de pénis e testículos operários, é o caixeiro-viajante lá do hospital e tem duas namoradas como o Marco Paulo. Os três dão-se bem e são felizes. Elas, de tão organizadas que são, dizem que até seguem uma escala para dividir o marido. A dona Sofia, que é a dona mais oficial, trata mais do comer e da roupa lavada e a outra dona trata mais da cama e do que se faz em cima dela. Tenho cá para mim que: ou o Bernardo tem mais numerário que o tio Patinhas ou tem um martelo grande e grosso como o do Thor! É só um palpite.

Doutor Eurico, nomeado para “O que tem as maiores unhas dos pés”, casado com a Técnica de Análises Camila, nomeada para “A que mais ama o marido”
O doutor Eurico é um médico que abotoa a alma a toda a gente. Gosta de piscar o olho às clientes com curvas divertidas e a todas as que se vendem no Facebook. Assemelha-se a um cão velho que deixou de ladrar porque já não morde. Da esposa, a técnica Camila, ele só quer duas coisas: que esta lhe corte as unhas dos pés e finja que é uma pedra da calçada o resto do tempo. A dona Camila, quando não está a analisar nada, é costureira. Com os alfinetes das suas unhas, costuma comprar todos os meses, cremes para engordar o umbigo. Diz que ama muito o marido, no entanto, não sabemos se é este, o anterior, ou o que está na calha. Adiante.

Enfermeiro Francisco, nomeado para “O mais descuidado”, casado com a Farmacêutica Raquel, nomeada para “A que dá mais nas vistas”
O enfermeiro Francisco está quase reformado. Vive muito entediado como as palmas do deserto e pensa ao contrário como os moinhos que empurram águas para trás! Vive sem perturbações como quem já fez tudo e talvez morrer seja isto: já ter percorrido todos os caminhos! O Francisco compra muita coisa acima do preço. Aqui há uns tempos, imagine-se, quase que comprou um bebé a uma forasteira por descuido! A esposa, a dona Raquel, é licenciada em farmácia e tem muitos desequilíbrios. Com o objetivo de ser notada, cai ao chão com regularidade e no ridículo quase todos os dias. Não gosta de forasteiras, mas gosta muito de quiosques, daqueles que dão tudo a preço de nada.

Administrativo Paulo, nomeado para “Melhor marido secundário”, casado com a Enfermeira Laura, nomeada para “Quem melhor joga às escondidas”
O senhor Paulo, que vive de dores antigas, é o marido da enfermeira Laura que vive com pechisbeques modernos. O Paulo gosta de regar vasos sem flores e diz que deixa sempre tudo por elas, como o Zé Cabra. Ela diz que gosta de encontrar o silêncio na renda e no croché, mas é mentira! Ela adora é falar de coisas tremendas e ama a expressão “pra inglês ver”, embora nunca a diga. A coisa que a Laura mais gosta que o Paulo lhe faça pela manhã, é um café sem açúcar, sem leite, sem chávena e sem café. A enfermeira Laura é louca por fotografia e ama jogar às escondidas com o marido, mas sem ele saber! Enfim, um amor cheio de malabarismos e contrafações.

Auxiliar Sérgio, nomeado para “O mais tio Patinhas”
O senhor Sérgio sonha ser operador de caixa num mini mercado lá prós lados da Portela de Sacavém, onde se vêem os aviões a levantar. Diz que tem dois sentidos na vida: ver dinheiro a cair na conta e contar à esposa como foram as férias que passou sem ela. É poupadinho como uma dona de casa que poupa nas compras e no gás.

Administrativa Clara, nomeada para “A mais vulnerável”
A Clara é vulnerável como uma linda boneca de porcelana. Trabalha só em part-time, porque diz precisar de tempo livre para esmiuçar as redes sociais. É dona de um grande telemóvel, do tamanho do tempo que gasta com ele e gosta do tal aparelho, quase tanto como o marido. Também gosta de falar às cavalitas das pessoas porque a sua voz é meio baixa e ela sempre quis ter mais uns centímetros. Tanto saliva e rosna, como os mares que espumam pela boca, como sorri, como um tresloucado de navalha na mão. Tenho medo às vezes.

Doutor Nelson, nomeado para “O mais gabarola”
O doutor Nelson sonha em viver de rendimentos. É discreto mas seguro. Enerva-se com facilidade e gosta de dormir de barriga para cima, como as rotundas que vivem estendidas ao sol. Adora ver rabos redondos e sem cascas de laranja, principalmente o seu. Acha-se a última bolacha do pacote quando está na mó de cima e espuma pela boca como um anão danado, quando está na mó de baixo! Tem de se dobrar mais vezes, a ver se ganha altura.

Segurança Ofélia : nomeada para “A mais intimidante”
A Ofélia é quem veste calças lá em casa. Sonha um dia seguir a carreira militar e é uma mulher que não gosta de maridos que encolhem os ombros. Apresenta perante os clientes e o esposo, uma postura ameaçadora, por vezes até, como quem ameaça usar uma arma nunca usada. Costuma xingar e bater no marido em público, mas só até ele estar confortável. Dia sim, dia não, costuma pespegar-lhe duas bofetadas e entre cada uma, aponta-lhe a porta da rua. Ele não cede.

Estagiária Palmira (oftalmologia), nomeada para “A mais sabichona”
A Palmira, coitadinha, é surda e quase ceguinha dos dois olhinhos. É muito dona do seu nariz e não sabendo e vendo quase nada, diz saber e ver quase tudo. É uma estudante convencida, que gosta de argumentar como se tivesse exércitos atrás de si ou como quem concede um especial favor a toda a gente! Tenho cá para mim, que a escola da vida a vai chumbar uns bons anos seguidos!

Veterinária Berta, nomeada para “A mais depressiva“
A doutora Berta tem muitas dores de cabeça periféricas. Ela trabalha de segunda a sexta, deprimida como um ramo de rosas que chega ao destinatário no dia seguinte. Ela costuma alugar o marido para fora e maltrata-o, como se fosse ele para ela, um mal maior que a peste! Por vezes faz birras tão bruscas, que desconfio que ela tem um pólo norte e um polo sul dentro da cabeça. Quando o marido precisa de ralhar com alguém, quem ralha é ela, porque ela diz que ralha melhor. Além do marido, eu também tenho medo dela.

Auxiliar Bárbara, nomeada para “A mais esdrúxula”
A dona Bárbara, loira na inteligência, gosta de passar atestados de burrice aos colegas para se sentir mais inteligente. Estratégias. Acha que tem amigos lá no hospital mas não é amiga de ninguém. Todos lhe falam na retaguarda. Ela também gosta de esconder a cabeça entre as folhas dos jornais quando é descoberta e quando o Benfica perde, desaparece das redes sociais. O seu hobby favorito é dissecar moscas à janela enquanto esmiúça a vida alheia. Tenho cá para mim, que o seu trágico destino deve ser explodir de raiva como as cólicas renais fazem aos rins lá no hospital!

Psicólogo Sales, nomeado para “O mais antissocial”
E por fim, o último nomeado sou eu (Luis Mateus).
O meu nome fictício é Sales. Alguns dizem que sou antissocial, meio louco, convencido, estranho e desbocado, e eu confirmo: é tudo verdade! Ando sempre rodeado de muitas fronteiras, como se estivesse entre bestas numa floresta, mas só recebo no meu gabinete quem me apetece. Gosto de cantigas de escárnio e maldizer, sobretudo as de maldizer e digo as verdades todas através da escrita, que não dá garantias nem compromete. Dizem que nasci tarde. Confirmo. E também dizem que por este andar, devo morrer cedo. Eu não sei se concordo, porque pessoas ruins duram mais anos.

Um pedido de desculpas aos muitos, que pela sua excessiva sanidade e pacatez, não conseguiram estar entre os nomeados.
Deixo-vos um conselho: a normalidade é um aborrecimento!
Sejam diferentes, exóticos e extravagantes!
E tu, achas que foste nomeado?
Quem é quem neste enigma?

Boa sorte a todos!


Novembro, 2024

dedicado às pessoas mais barrocas e pitorescas que eu conheço





13ª carta à minha Mãe


lá fora chove
como se pingos de chuva chorassem por nós
como se o tempo viesse em minha defesa
e me trouxesse anjos e recados
rascunhos e projectos inovadores
que me afagam e embalam
enquanto beijo nos olhos a chuva
por uma nostálgica janela

como quem provoca quem quero esquecer
te peço ajuda
para sair desta dormência
e acordar
como a alvorada e o padeiro que se levantam cedo

o algoritmo da vida
tem-me baralhado todos os dias
e eu tenho deixado
como quem vive agarrado a medalhas de prata
como quem não sabe por onde abrir caminho
como quem se fecha num quarto escuro para chorar
inocente
como quando nasci

o problema minha riqueza
é que tenho muitas saudades tuas
como se tivesse o abraço sempre preparado
como se apertos no peito fossem rituais nocturnos

de coração arrancado
como se tiram os caroços das cerejas
sucos escorrem-me diariamente pelos dedos
são o sangue dos olhos transformado em lágrimas
são lágrimas de ferro fundido
muito resistentes a rupturas portanto
como tu e eu

da vida já perdi partes
mas as piores
foram contigo às costas
queria largar essa mochila
há anos que me pesa
há anos que tento abrir o céu à força com as mãos
que até os ossos me ficam a descoberto
se a carne e o ferro se gastam com o tempo
porque não se gasta a ausência?

tenho andado
como quem só canta se não tiver plateia
numa espécie de gabinete de guerra interno
embrenhado num esquecimento desacomodado
como quem quer muito mas não quer de facto
esquecer-te
no entanto impotente
como se lavasse camisas no programa errado
e prostrado
como as palavras que detestam o silêncio
e as cortinas que ondulam à janela sem saber o que fazer

de olhos turvos de saudade
tenho acessos de uma quase raiva
como se a violência fosse uma coisa normal
oh senhores
parece que está tudo gasto menos tu
e é por isso
ao menos por um dia
que te queria esquecer
como um vestido que se tira pela cabeça
como quem acorda de um sono sem sonhos
como quem já nem a voz da sua mãe conhece

queria seguir em frente
como quem não vê o céu de sempre
como quem volta a sentir o cheiro da vida
queria deixar de me lembrar que te perdi
como quem nunca te conheceu
ao menos por um dia

ajuda-me com este circo
porque preciso de ser quem era
preciso de uma primavera só para mim
como todas as outras andorinhas
como quem desembrulha um nó cego
sem que sobre ele se possa algum dia
construir alguma coisa

que eu consiga renascer
e sorrir ao menos por um dia
como quem alcança a alta posição da martírio
portanto meu grande amor
meu amor eterno
de cabeças ainda de fora mas quase afogados
não façamos mais ondas

e por fim
devagarinho
lentamente
como um rio que empurra barcos sonolentos para o mar
te mando um décimo terceiro beijo
amo-te muito Mãe
até pró ano


Junho, 2024

dedicado à minha mãe





A Purga


Talvez um dia tudo fique mais leve,
Quem sabe a minha sorte mude
Com uma purga que venha breve
Purgar-me por dentro e me ajude!

Adamastores que por mim passam:
Que a purga vos leve assim devagar,
Mas com um tal vigor que até façam
Nivelar montanhas e erguer o mar!

Ah, se o destino agora falasse
Que me daria o céu, o sol e a lua,
Qual purga que tão bem rimasse

Com essa virtude que é tão sua,
Como se a vida hoje começasse
Bem-nascida em qualquer rua.


Maio, 2024

tributo a Luís de Camões





A Última Tulipa


Outrora,
quando a nossa casa era uma ilha
onde ninguém ralhava,
quando éramos donos do mar
e o amor não doía,
a minha sombra estremecia, só de pronunciar o teu nome!
Mas isso era no tempo em que celebrávamos tudo!
No tempo em que uma caminhada domingueira, era uma viagem!
No tempo em que velávamos o sono um do outro!
Lembras-te, quando as despedidas eram à varanda e à janela?
Meu amor,
porque nos vestimos de negro até à alma?

De nós, nem vestígios nem esperança!

Sou hoje cão sem dono,
que não fede, não cheira, não nada;
com saudade de tudo e de coisa nenhuma;
um fazedor de poemas sem poesia;
dividido entre a luz e a bruma, o céu e o mar,
mas meu amor, doravante
não te consigo mais amar!
Estive tempo demais pela metade dividido,
em tantos pedaços quantos uma metade se pode dividir!
Prostrado, de joelhos,
como se estivesse longe dos meus agasalhos!
Perdemo-nos, não sei quando e onde,
uma e outra vez!
Já não dançamos, damos coices acrobáticos!
Já não sabemos o caminho para casa!
Na nossa rua do ‘para sempre’,
já não cabem as palavras de outrora, de antigamente!
Sabes? Aquelas ditas todos os dias...
Aquelas gritadas para cima dos telhados...
Estamos roucos de tanto vociferar
e vazios de tanto transbordar!
O nosso elo era gigante!
Como fomos perder uma coisa tão grande?!
Temos deitado alcatrão por cima de todas as coisas que florescem lá na nossa rua!
O destino foi largado ao vento, que fez o que a tempestade quis
e da tempestade brotaram tumultos, solavancos e choques em cadeia!
Quantas horas, quentes pela raiva, foram gastas?
Quantas pazes feitas fizemos?
Porque vendemos tudo a preço de nada?
Quantas reconciliações sem concórdia?
Quase todas, meu amor!
Já procurei fugir, mas não consegui.
Já ousei até me despedir, mas estive sempre teimoso.
Já tentei tantas coisas, que hoje já não estou mais aqui.

Será triste, sonhar-te sem poder tocar,
ouvir-te sem poder escutar,
e acima de tudo, amar-te sem querer amar!

Ninguém te quis mais do que eu.
Ninguém foi mais paciente e ninguém te amou mais do que eu!
Ninguém.
Amo-te, mas amar também é deixar ir.
No entanto, quero que saibas,
que entre as extremidades do que amei,
sempre te quis de verdade!
Os teus beijos não perderam sabor.
Nada em ti perdeu encanto!
A nossa estrelinha, a mais antiga do universo,
apagou-se como se houvesse um céu tão nublado,
que nos esquecemos que acima das nuvens, há crença e claridade!
Nada é claro e eterno,
nem um amor de verdade nem a dor de o perder!
Perder um amor verdadeiro requer uma certa dose de coragem,
como quem muda a vida de casa!
Para que possamos vencer meu amor,
tu e eu temos de perder!

De ti levo todas as quimeras, danças, recordações e coreografias,
como se fossem retratos em molduras intocáveis...
De ti meu amor, levo a lucidez do que é o Pulsar da Vida!
Desejo
que um dia ames como todos os dias te amei,
que não contenhas lágrimas na despedida, nem olhes espelhos sem saída!
Chorar liberta a alma e desatar nós da garganta… acalma!
Quando perdes alguém de vez, perdes para Deus;
Quando perdes um amor, podes ganhar um ombro defensor!
Pensa nisso!

Sê paciente,
não te deixes murchar e não corras a buscar horas.
Espera que a primavera amadureça e te dê uma flor
quando sobre ti voar uma borboleta que a mereça.
Não és fraca que não possas recomeçar, nem forte que não possas gemer!
Haverão dias, que lembranças te farão sorrir, outras chorar,
mas lembra-te: estarei aqui, sereno e pronto como um guardião!

Tulipas...
Já te dei algumas,
mas esta é a última que tenho no bolso.
E é também a última vez que te chamo ‘amor’,
ao mesmo tempo que bebo do destino um violino que escuto,
nesta melodia amarga que se vestiu de luto...

A última tulipa. Toma, é para ti.

Adeus.


Abril, 2024

porque não quero dar a última tulipa





Ressurreição dos mortos


Há quem nunca tente.
Outros vão tentando, sem nunca tentar verdadeiramente!
É fácil quebrar ou desistir!
Difícil é tentar, ser golpeado, sofrer e cair.
A dor enobrece e endurece a alma!
Muitos vivem no limbo, à espera que o seu manicómio abra falência,
disfarçados de gente persistente, de gente que nada contra a corrente!
Esses não vivem, sobrevivem vítimas da própria covardia.
São os que se rendem antes de serem condenados;
Os que empurram propósitos para a frente com suas barrigas moles;
São os que nunca viajam para dentro de si mesmos;
Os de alma pequena, os que dizem que nada vale a pena!
São personagens que vão morrendo aos poucos, acomodados,
como se não houvesse mais propósito, além de saciar a vontade seguinte!
A preguiça parece que envenenou a alma dos homens!
Há lá coisa mais bela que ser autor da própria história?
Não é difícil sonhar. O difícil é renascer e tentar, mas tentar dá trabalho!
Quem tenta, mesmo falhando, vive
e quem nunca falha ou quase tenta, já morreu.
Quanta da tua persistência são pés molhados?
O que tenta esta gente que não gosta de se molhar?
Eles não tentam ser, vivem de aparências!
Tornam-se fingidores porque só fingem e aparentam,
e tornam-nos frustrados porque parecer não é ser.

Eles seguem fracos repetindo frustrações!
Eu coleciono tentações, poesias e ressurreições!



Março, 2024

porque eu coleciono tentações, poesias e ressurreições





Pedir remissão vezes sem conta


Deus é amor, clemência, compaixão,
É omnipresença que tudo vê e perdoa.
Ao cristão, fariseu e até à má pessoa,
A todos, ele dá a bênção e o perdão!

Mas pedir remissão vezes sem conta
E pecar como quem come tremoços
É como exigir ao tremoceiro caroços
Ou a Deus a desculpa sempre pronta!

Portanto, caro fiel, se te queres salvar,
Se queres pedir ao criador absolvição,
Começa por te assumir e confessar

Que és um pecador por vocação!
E quando souberes o que é pecar
É que pedes novamente perdão!



Fevereiro, 2024

porque Deus não atende pecadores por vocação




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